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DJ Motor, Música Combustível: fluxos musicais e protagonismo na periferia urbana de São Paulo - Parte 1

Ivan Paolo Fontanari
3 de Outubro de 2007

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No ano de 2005, quando fiz minha pesquisa de campo na cena eletrônica dos bairros da periferia de São Paulo, entrevistei alguns DJs (Disc-jóqueis) de techno e drum & bass e observei várias de suas festas. Um destes DJs foi Henry Jay, na época com 26 anos. Durante a semana Henry trabalhava como auxiliar de escritório, e no tempo que sobrava se dedicava à carreira de DJ. O caso de Henry Jay me parece bom para pensarmos os fluxos contemporâneos de pessoas e músicas, principalmente no que a relação “pessoas” e “músicas” potencializa o movimento e a transformação, tanto dos músicos e de seu público, quanto das músicas.

Definições
Quando falo em movimento, por um lado refiro-me à circulação das músicas - por diversos meios - entre pessoas, seja de um mesmo bairro ou de diferentes lugares do mundo. Por outro lado, refiro-me ao deslocamento geográfico das pessoas, em uma mesma cidade ou no globo terrestre (um deslocamento horizontal), e ao “deslocamento” das pessoas na hierarquia social de poder e oportunidades (um deslocamento vertical). Quando falo em transformação, por um lado refiro-me às transformações da estética musical e dos processos de produção e circulação musical. E por outro lado, refiro-me às transformações subjetivas, da sensibilidade cultural das pessoas que experienciam a música, e do modo como as relações sociais são estruturadas, entre estas pessoas, e com outras pessoas fora de seu universo imediato de relações. Acredito que a interpretação que faço desta relação entre pessoas e músicas nas periferias de São Paulo possa ser estendida a outros contextos, assim como os fenômenos descritos, apesar de singulares, ressoam de outros e em outros momentos e lugares. Nesta Parte 1 concentrar-me-ei na dimensão do “movimento” desta relação entre pessoas e coisas, em especial no movimento das pessoas.

Henry Jay vai para São Paulo
Há alguns anos atrás Henry Jay morava com seus pais em Curitiba. As oportunidades para trabalhar como DJ em Curitiba eram limitadas na época, ainda mais por ser menor de idade. Decidiu se mudar para São Paulo. Foi uma mudança difícil, veio “sem nada, só com a cara e a coragem”, diz ele. Não tinha amigos em São Paulo, não conhecia os DJs da cidade, não sabia nem onde eram as lojas de discos, enfim, não sabia nem por onde começar. Tinha apenas um lugar para ficar na casa de uma parente. Além disso, tudo era muito grande em São Paulo, tudo era muito difícil de se achar.

As primeiras experiências
Apesar de sua especialidade ser música eletrônica, a primeira oportunidade que teve em São Paulo foi como DJ de rap, quando pode aperfeiçoar suas técnicas. Seu trabalho com música eletrônica em São Paulo começou quando conheceu um colega de escola, que não era DJ mas tinha vontade de fazer alguma coisa. Os dois então se uniram para comprar um par de toca-discos, um amplificador, e começaram a fazer festinhas na garagem da casa dos amigos e na escola. Em 2001 bolaram o seu primeiro projeto, ao que deram o nome de Factory Sound, como uma homenagem a um dos clubes de música eletrônica em São Paulo com os quais Henry Jay mais havia se identificado, a Sound Factory, clube onde tocaram muitos DJs que admirava. Seu projeto Factory Sound consistia em organizar festas próximo a onde moravam, na Vila Carrão, Zona Leste de São Paulo. Conseguiram convidar uns DJs que já eram mais conhecidos na cena eletrônica da Zona Leste. Assim, quando estes outros DJs viram que eles estavam com este projeto, passaram a convida-los para tocar em suas festas.

… em 2005
Dj Henry Jay & Dj China Em 2005, quando realizei meu trabalho de campo, Henry Jay já desenvolvia outro projeto, agora o E-Vision, junto com o DJ China. Os dois haviam se conhecido em uma festa de música eletrônica em São Miguel Paulista, Zona Leste. Neste projeto sua proposta era não só realizar festas e tocar nelas como DJs, mas também filma-las e produzir DVDs, de suas próprias festas e das festas de outras pessoas que os contratassem. Este era o diferencial de seu projeto como DJs, pois além de discotecar, filmavam as festas de música eletrônica de modo especializado, com ênfase nas mixagens feitas pelos DJs e na produção de DVDs, o que os outros projetos não faziam.

As festas do projeto E-Vision aconteciam cada vez em um lugar diferente, nas noites de sábado para domingo, sempre em bairros periféricos da Zona Leste, em sítios ou galpões alugados. Alternavam-se com as festas de outros projetos com os quais o E-Vision estabelecia uma relação de troca, de modo que todos os sábados havia pelo menos uma festa de música eletrônica para o público da periferia. As festas da E-Vision já estavam fazendo bastante sucesso entre o público e os outros DJs, chegando algumas vezes a reunir mais de mil pessoas.

Histórias comuns na periferia
Não só Henry Jay e China e os outros DJs de seu projeto, mas praticamente todos os DJs que tiveram uma história semelhante com a música eletrônica em São Paulo parecem ter também objetivos semelhantes para as suas carreiras. Eles começaram a tocar organizando as suas próprias festas ou em festas de amigos na periferia de São Paulo, e agora sonham em tocar fora do Brasil. Estes objetivos são em grande parte inspirados em outros DJs, seus ídolos, que também começaram a tocar nas festas da periferia de São Paulo usando equipamento improvisado, e hoje viajam pelo mundo. Fazem parte de uma rede internacional de DJs, que mantém contato, trocam suas produções musicais, e se convidam mutuamente para performances um no clube onde o outro tem residência. Os DJs de drum & bass Marky e Patife, crescidos na periferia de São Paulo, talvez sejam os melhores exemplos de DJs brasileiros que participam destes fluxos internacionais. Ambos desenvolveram suas carreiras durante a década de 1990. Eles são os mais citados como ídolos pelos DJs que entrevistei. São admirados e tomados como exemplos a serem seguidos.

Movimento
Pois bem, tomando a trajetória do DJ Henry Jay como referência, uma trajetória comum também aos seus colegas de projeto e a outros DJs de música eletrônica que cresceram e começaram a tocar na periferia, podemos observar que ser DJ e tocar música eletrônica pressupõe um movimento. No caso de Henry Jay, envolve seu deslocamento de Curitiba para São Paulo, cidade onde há um mercado mais desenvolvido em seu estilo musical, no qual insere-se musical e socialmente. Mas este movimento também ocorre nos limites de São Paulo, na medida que Henry passa a estabelecer contatos, inserindo-se em um cenário já estruturado, potencializando-se como DJ e sujeito social. Trata-se de um movimento ao mesmo tempo horizontal e vertical, na medida que o deslocamento geográfico relaciona-se à potencialização proporcionada pela ocupação de uma posição em uma estrutura já em funcionamento, a estrutura da cena eletrônica da periferia da qual ele começa a participar.
DJs como Henry Jay parecem saber do potencial dinâmico do que fazem, e DJs pioneiros como Marky e Patife, assim como outros que já estão em um estágio avançado de suas carreiras, depois de terem aberto o caminho, realimentam este imaginário de possibilidades para os que vêm depois deles. O problema com que se depara a grande maioria dos DJs que ainda atuam na periferia é, no entanto, de como “chegar lá”, de como realizar esse deslocamento para além do universo local onde eles atuam.

Mais um passo adiante
Dj Henry Jay 1
Em 2005, Henry Jay tocava nas festas que organizava e nas festas de outros projetos na periferia. Seus contatos continuavam se ampliando gradativamente. Em 2006, quando eu já estava longe de São Paulo, fui surpreendido ao receber um e-mail informando que Henry Jay tocaria no clube Aloca, um clube underground há poucas quadras da Av. Paulista, um dos lugares de passagem dos DJs que circulam internacionalmente. Mais um passo havia sido dado em sua carreira. Henry Jay começava a conquistar espaço em clubes da região central de São Paulo. Assim como ele, outros DJs que conheci em 2005 também progrediam.

As peças do motor
Dj Henry Jay 2
Além dos contatos que faz e de sua competência profissional como DJ e organizador de festas, há vários fatores envolvidos no desenvolvimento da trajetória profissional do DJ que inicia sua carreira na periferia. O trabalho realizado coletivamente como forma de mobilização de recursos escassos é um fator decisivo, faz parte da experiência de classe destes garotos e conflui para a centralidade da música em seus projetos de vida. A internet também faz parte de sua relação com a música. É um recurso que permite a comunicação e a configuração deste mercado globalizado-underground da música eletrônica. A dinâmica sócio-musical singular deste mercado, as tecnologias e conhecimentos necessários, permitem que garotos de baixo poder aquisitivo, com um considerável empenho coletivo, ganhem acesso a espaços inicialmente não disponíveis a eles, espaços sociais e horizontes imaginários. A música eletrônica é assim apropriada como um elemento aglutinador e recurso de empoderamento. Atores sociais locais, munidos de toca-discos e de discos importados, atribuindo-lhes novos sentidos, superam as limitações de acesso e circulação comuns aos moradores das periferias.

Movimentos que borram seus traçados
A identidade globalizada deste tipo de música, sendo apropriada em nichos específicos de DJs e público localizados em várias partes do mundo, abre mercados e desperta o imaginário de atores sociais locais. Em São Paulo, DJs como Henry Jay encontram nesta linguagem musical uma forma de expressão de si e uma trajetória profissional, uma carreira, na qual recriam sua experiência urbana como moradores da periferia da metrópole. Não só o campo de produção, consumo e circulação globalizado do techno e do drum & bass abre caminho para o desenvolvimento de trajetórias como as dos DJs Henry, Marky e Patife, mas a estética desta música, que valoriza a experiência coletiva da dança catártica, é a própria expressão do borramento do que é local e do que é global. No caso dos DJs de música eletrônica da periferia de São Paulo, podemos ver que a distância entre o local e o global tem sido definida e percorrida pelos próprios DJs, nos trajetos que delineiam no mapa da cidade e do mundo, confundindo o que é periferia e o que é centro.

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5 Responses to “DJ Motor, Música Combustível: fluxos musicais e protagonismo na periferia urbana de São Paulo - Parte 1”

  1. Claudia Ferraro:

    O mundo musical vem conspirando de forma cada vez mais linear, sem fronteiras ou paradigmas. Devemos destacar a grande influência virtual sobre diversos aspectos culturais que vem mostrar um meio altamente plural de tendências. Prova disso é a forma como o MySpace vem possibilitando mercados novos para músicos totalmente desconhecidos, que saem da garagem de suas casas direto para o cenário internacional. Não há mais barreiras para o eco de novos sons.

  2. magda:

    Em breve, postaremos aqui a entrevista que fizemos com alguns dos artistas que fizeram parte do Manifesto da Antropofagia Periférica. Para adiantar o assunto, colocamos aqui o texto escrito por Sergio Vaz, um dos mentores do projeto que acontece no Grajaú, zona sul de SP.

    A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
    A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.
    Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
    A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
    A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica que brota na porta do bar.
    Do teatro que não vem do “ter ou não ter…”. Do cinema real que transmite ilusão.
    Das Artes Plásticas, que, de concreto, querem substituir os barracos de madeira.
    Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
    Da Música que não embala os adormecidos.
    Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
    A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
    Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
    Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
    É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão. Aquele que na sua arte não revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que, armado da verdade, por si só exercita a revolução.
    Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona.
    Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso à produção cultural.
    Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado.
    Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles? “Me ame pra nós!”.
    Contra os carrascos e as vítimas do sistema.
    Contra os covardes e eruditos de aquário.
    Contra o artista serviçal escravo da vaidade.
    Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
    A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
    Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
    É TUDO NOSSO!

    Sérgio Vaz
    Poeta da Periferia

  3. magda:

    Hoje há um aspecto peculiar a ser considerado: o folclore se elitizou, isto é, muitos estudantes universitários e intelectuais é que se ocupam de registrar e dar espaço a manifestações tradicionais e a música “clássica”, antes considerada pertencente apenas à classe dominante, agora envolve jovens de favelas em projetos de ONGs. A MPB, cuja sigla carrega o termo “popular”, já virou “música culta”, tendo em vista que o parâmetro de popularidade é o número de vezes que toca no rádio e/ou aparece na TV e/ou a quantidade de cópias vendidas.
    O sertanejo e o pagode, que já foram considerados gêneros da periferia tempos atrás, deixaram de ser apenas música de e para as classes menos favorecidas e agora circulam nas classes média e alta. O sertanejo, que teve raiz na moda de viola caipira, do interior, que fala com o r puxaaaado, é uma música de rua, veio das estradas do mundo rural. O pagode vem do bar daquela viela torta do morro carioca. Ambos foram gerados na periferia e agora rendem alguns bons milhões no mercado fonográfico central, portanto são o mainstream!
    O mesmo fenômeno está acontecendo com o hip hop, que inclui o rap, o break, o grafite e o beatbox, expressões que, diz a voz dos MCs, dão cara aos movimentos de uma perifa que vive uma espécie de universo paralelo, numa rua calcada nas mazelas e na violência constante. Antes à margem da indústria cultural, o hip hop também vive agora uma transformação em produto de consumo maciço, veiculado pelos grandes meios de comunicação. O break foi o que primeiro apareceu na mídia. Era a dança de rua, feita na rua, criada na rua, crescida na rua, que atraía a mídia e os jovens, tanto da periferia como dos grandes centros. O rap idem: veio das ruas e ganhou as manchetes das revistas norte-americanas do pop e do rock. Está presente na MTV com uma série de video-clips e é bancado pelas grandes gravadoras. Só para citar duas notícias muito expressivas disso: Eminem se tornou o primeiro rapper a ganhar um Oscar e recentemente fez uma parceria com a Nike para vender tênis; a dupla de hip hop Outkast estourou nas pistas com 10 milhões de discos vendidos e dois prêmios Grammy, façanha conseguida apenas pelos Beatles.
    Lucio Ribeiro, que escreve na Folha de S. Paulo diz: Faz tempo que o hip hop saiu dos guetos musicais e deixou de ser apenas música agressiva e exclusivista para ser música popular, de novela, também para ricos e participar até como braço forte de transformações de vanguarda dentro da música eletrônica. O hip hop virou hip pop . Segundo o jornalista, Gangsta, Jay-Z e P. Diddy trocaram os medalhões de ouro e as camisetas de time de basquete por ternos caríssimos, para mudar suas imagens.
    Então, vemos que a(s) música(s) da(s) rua(s) pertence(m) a um terreno movediço onde não há centro fixo e nem periferia delimitada. Há uma mudança constante, um deslocamento contínuo…

  4. magda:

    Ai vai uma noticia que só confirma a troca de eixos que está acontecendo diariamente. A periferia é que dá as cartas.

    Rappers franceses incentivam jovens da periferia a votar
    da Folha Online

    Se o rap é uma forma de protesto, o voto também pode ser. É o que dizem alguns rappers franceses que participam de um crescente movimento de incentivo ao voto. O alvo são os jovens das periferias, fãs dos versos de protesto cantados ao som das batidas pesadas do rap.

    No ano que vem, acontece a eleição para presidente no país. O primeiro turno acontece em 22 de abril –se for necessário, haverá segundo turno em maio. Estão na disputa a ex-ministra da Educação, Família e do Meio Ambiente Ségolene Royal, do PS (Partido Socialista), e o ministro do Interior Nicolas Sarkozy, da UMP (União pelo Movimento Popular), o partido de direita atualmente no poder com o presidente Jacques Chirac.
    Em entrevista a Kerstin Gehmlich, repórter da agência de notícias Reuters, o togolês Rost, 30, diz estar empenhado em fazer seus vizinhos das mais diferentes etnias votarem pela primeira vez –o registro para participar da eleição deve ser feito até o fim de dezembro.

    Rost, figura conhecida do cenário hip hop francês, já vendeu cerca de 300 mil discos no país. “Como rappers, temos de usar nosso impacto”, afirma Rost, com seu visual de dreadlocks. “Muita gente da periferia não liga para política, pois se sente excluída dessa sociedade”, destaca. “Há uma multidão de eleitores em potencial que poderá decidir a eleição.”

    O rapper, criado em um minúsculo apartamento em Paris com oito irmãos, lembra que os conflitos do último ano –em que mais de 10 mil carros e 300 prédios públicos foram incendiados– mostraram o quanto os jovens dos subúrbios estão revoltados por conta da discriminação e do desemprego.

    Nesse crescente movimento a favor do voto, fazem coro com Rost os rappers Despo e Verda. “Tire seu título de eleitor”, conclama Despo. “Onde você está quando a França precisa de você?”, completa Verda.

    O último disco de Rost, “J’Accuse” (eu acuso), traz o rapper enrolado em uma bandeira francesa com os dizeres “Esta França pertence a nós também”. A contracapa traz explicações sobre como tirar o título de eleitor.

    “Premonição

    Antes mesmo dos conflitos, letras de rap já davam conta do que estava por vir. “They Don’t Understand”, do grupo NTM, por exemplo, diz: “O que vocês estão esperando para incendiar tudo?/ Os anos passam, mas tudo continua igual”. “In Front Of The Police”, do grupo 113, declara que “a cidade [Paris] é uma bomba-relógio”. E “Don’t Try To Understand”, do Fonky Family, anuncia: “O Estado não nos leva a sério/ Então teremos de nos defender nós mesmos”.

    23/11/2006 - 14h38

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