Global Nomads: Techno and New Age as Transnational Countercultures in Ibiza and Goa
Magda Pucci
17 de Setembro de 2008
Global Nomads: Techno and New Age as Transnational Countercultures in Ibiza and Goa (London: Routledge, 2007, International Library of Sociology, pp.255).
Global Nomads apresenta uma introdução única ao tema da globalização de contraculturas, tópico largamente desconhecido dentro e fora da academia. Esta pesquisa examina a vida social de comunidades de expatriados neo-nomádicos que vivem em um circuito global de prática contracultural, que se desenvolve através de paraísos paradoxais de turismo e utopia, como Ibiza, Goa, Bahia, Bali etc.
Baseado em trabalho-de-campo nomádico através da Espanha e Índia, este estudo analisa como e porque estes sujeitos pós-metropolitanos rejeitam as suas pátrias no sentido de elaborar um estilo de vida alternativo. Eles se transformam em artistas, terapeutas, comerciantes exóticos e trabalhadores boêmios, buscando integrar trabalho, mobilidade e espiritualidade dentro de uma cultura cosmopolita de individualismo expressivo. Estas formações contraculturais, entretanto, se desenvolvem dentro de regimes capitalistas neo-liberais que visam apropriar estes espaços, práticas e imaginários utópicos em forma de commodities para consumo em indústrias do turismo, entretenimento e mídia.
No sentido de compreender esta globalização paradóxica das contraculturas contemporâneas, Global Nomads tece um diálogo entre estudos de globalização e de teoria crítica (Foucault, Deleuze), introduzindo o conceito de “neo-nomadismo”, para transcender algumas das atuais lacunas dos estudos globais e de teoria crítica. Esta pesquisa trata-se de referência essencial para pesquisadores de antropologia e sociologia da globalização, novas religiosidades, artes digitais, turismo e viagem.
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Anthony Fischer D’Andrea é doutor em antropologia pela Universidade de Chicago. É fundador e moderador da lista acadêmica Ant-Bra: fórum eletrônico de Antropologia do/no Brasil. Pesquisador da globalização cultural, se interessa pela questao de como processos de hipermobilidade, digitalização e reflexividade geram novas formas de subjetividade, identidade e sociabilidade. Desde 1995, tem examinado formações artísticas cosmopolitas New Age e Techno no Brasil, Espanha, Índia e EUA. Dentre diversas publicações, destacam-se seus dois livros: O Self Perfeito e a Nova Era: Individualismo e Reflexividade em Religiosidades Pós-Tradicionais (São Paulo: Loyola, 2000) e Global Nomads: Techno and New Age as Transnational Countercultures in Ibiza and Goa (London: Routledge, 2007, International Library of Sociology). Leia mais em http://home.uchicago.edu/~afdandre/
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02-10-2008, 11:37
Muito interessante. Me encontrei com vários destes figuras durante algum tempo em que estive nos fluxos nomádicos em errância mundo afora. Me lembro de um cara muito engraçado chamado Horácio. Foi pura sorte ter encontrado o Horácio em Florianópolis, haja visto que ele nunca parava em lugar nenhum. Já tinha conhecido vários lugares, trabalhado em inúmeras profissões, residido de maneiras impensáveis… Em Florianópolis Horácio pintava camisetas à mão e morava “gratuitamente” em uma casa feita de “madeirite” à beira de um canal que desaguava na praia. Sua casa era um cubículo onde ele amontoava suas bugigangas, roupas, violão, colchão… Colhia bananas selvagens na mata atlântica para se alimentar, pescava na praia, e “colhia” os frutos do seu bom relacionamento com a comunidade local também.
Voltei para a minha vida sedentarizada. Horácio agora trabalha no País de Gales, em açougue especializado em abater cavalos. Ele, ambientalizado no mundo, é fluente em inglês e francês, e vive a parte do mundo da velocidade, do stress. Se fizesse como a maioria, e se contentasse com o seu “lugar”, a sua “aldeia”, seria certamente mais um “caipira” (no sentido pejorativo) da pequenina cidade de Santa Adélia, perto de Catanduva, no interior de São Paulo. Eu fiquei! Me sedentarizei. Não falo inglês e nem francês. Fiz faculdade acreditando no “script” social (a fórmula do sucesso). Fiz também mestrado, e até agora não me sinto realizado profissionalmente com tantos e tantos cursos… com tantos e tantos “network’s” que construí em minha “aldeia”, Santa Bárbara d’Oeste. Quem está certo? Nós que aprendemos a nos apegar? Ou os “Horácios”, desterritorializados, que não abrem mão da errância na vida?
abraço a todos.
19-10-2008, 16:14
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